segunda-feira, 20 de abril de 2015

Quatro Travesseiros

    Há quem considere as lembranças uma das grandes dádivas da vida humana, que as chamem de "o mais belo preço a se pagar por bons momentos". Ok! É um ponto de vista bonito. Lembranças boas só continuam sendo boas quando seus participes permanecem agradáveis, tenho por exemplo ótimas lembranças de momentos com meus pais, meu irmão, alguns poucos amigos e com meus artistas preferidos. Porém, algumas recordações bonitas podem tornar-se terríveis dada a situação decorrente a estas, e assim, cheiros, sabores, cores, lugares, personagens e até mesmo músicas se transformam em grandes aversivos. Fossem as lembranças sempre agradáveis, não necessitaríamos de mecanismos de defesa e algumas pessoas não sofreriam por exemplo de conversão histérica devido o recalcamento de certas lembranças...o que dizer então das que sofrem de amnésia.
    Tentar levar tudo na doçura e se esconder atrás de frases, sorrisos, fotografias e faz de conta, é ignorar possíveis dores de lembranças que se tornaram tristes, quando não exteriorizamos a dor emocional esta se manifesta de forma orgânica como um cansaço excessivo, irritabilidade, uma dor de estômago...
  
 Não há nada de errado em manifestar a tristeza, desde pequenos somos ensinados a não chorar, a "engolir o choro", a disfarçar, e isso faz muito mal, é necessário sim dar uns gritos, chorar copiosamente, xingar, escrever, falar o que sente doa a quem doer, ou a sua dor será maior. Quem exterioriza a tristeza a manda embora, se esvazia dela, seja da forma que for necessária, o importante é não deixar a tristeza durar dias e virar uma diarreia, uma ulcera, uma dor de cabeça, e fazemos isso da forma que for conveniente, eu por exemplo, durmo com quatro travesseiros.

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