segunda-feira, 20 de abril de 2015

Quatro Travesseiros

    Há quem considere as lembranças uma das grandes dádivas da vida humana, que as chamem de "o mais belo preço a se pagar por bons momentos". Ok! É um ponto de vista bonito. Lembranças boas só continuam sendo boas quando seus participes permanecem agradáveis, tenho por exemplo ótimas lembranças de momentos com meus pais, meu irmão, alguns poucos amigos e com meus artistas preferidos. Porém, algumas recordações bonitas podem tornar-se terríveis dada a situação decorrente a estas, e assim, cheiros, sabores, cores, lugares, personagens e até mesmo músicas se transformam em grandes aversivos. Fossem as lembranças sempre agradáveis, não necessitaríamos de mecanismos de defesa e algumas pessoas não sofreriam por exemplo de conversão histérica devido o recalcamento de certas lembranças...o que dizer então das que sofrem de amnésia.
    Tentar levar tudo na doçura e se esconder atrás de frases, sorrisos, fotografias e faz de conta, é ignorar possíveis dores de lembranças que se tornaram tristes, quando não exteriorizamos a dor emocional esta se manifesta de forma orgânica como um cansaço excessivo, irritabilidade, uma dor de estômago...
  
 Não há nada de errado em manifestar a tristeza, desde pequenos somos ensinados a não chorar, a "engolir o choro", a disfarçar, e isso faz muito mal, é necessário sim dar uns gritos, chorar copiosamente, xingar, escrever, falar o que sente doa a quem doer, ou a sua dor será maior. Quem exterioriza a tristeza a manda embora, se esvazia dela, seja da forma que for necessária, o importante é não deixar a tristeza durar dias e virar uma diarreia, uma ulcera, uma dor de cabeça, e fazemos isso da forma que for conveniente, eu por exemplo, durmo com quatro travesseiros.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Complexo de William Wallace

Tenho internalizado um conceito de lealdade um tanto distante da realidade, tomo dores de amigos que não tomam as minhas e sinto uma empatia excessiva pelo outro. Chamo isso de Complexo de William Wallace.
Quem assistiu ao filme Braveheart (Coração Valente no Brasil) conhece a historia do homem que tomou as dores do povo escocês que se encontrava sob o jugo Inglês e lutou até a morte pela liberdade de seu país, estrelado e dirigido pelo gatão Mel Gibson. Assisti a esse filma varias vezes na infância junto com meu pai, tinha gravado em fita vhs e confesso que tinha muito mais estomago para as cenas do que hoje e acredito que foi nessa época que formei em minha personalidade essa empatia, essa lealdade para com o outro. Alias, no filme a Era do Gelo 4, existe uma repetição de uma cena de Braveheart, quando vão atacar o navio pirata e aqueles hamsters fofinhos em formação de batalha, tem seu lider com a cara pintada de azul e branco.
Mas essa lealdade de Will Wallece não funciona mais hoje em dia, não mais no dia-a-dia, quando mais importante que ser leal a um amigo, é ter trocentos que você mal conhece nas redes  sociais, quando vale muito mais o numero de curtidas em uma foto que a sinceridade, quando os compartilhamentos são mais importantes que a presença. Willian Wallace é lembrado até hoje e se tornou um herói para a nação escocesa, mas perdeu a mulher que amava e morreu prematuramente... Talvez ele devesse ter fugido. Talvez eu fuja.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Yin Yang e a Branca de Neve

   O Taoismo nos fala de dois lados, a escuridão e a luz, penso que existam três ou quatro... ou cinco, mas atentando-me a dois digo, o dia 31 de agosto.
    O dia 31 de agosto teve dois lados, o lado bom e o ruim, a grande felicidade e a decepção, o reencontro épico e o primeiro encontro que não deveria ter ocorrido, a benção verdadeira e a benção que na verdade era maldição, yin yang.
Incrível como boas intenções podem te por numa roubada e tanto, como a maçã da Branca de Neve, linda e venenosa, e a escolha de morde-la, talvez por estar "passando fome" tenha graves consequências... Estou passando as consequências! 
Será que um beijo apaixonado cura o veneno?
Será que pensar só no Yang e ignorar o Yin?
    No taoismo, doutrina chinesa, Yin e Yang se completam. Na física, dois corpos não ocupam o mesmo espaço, e pra mim, embora pequena, está muito apertado... Não fui capaz de visualizar naquele dia o Yin, pois a grandeza do Yang o ofuscava, a luz, o brilho. Eu preferi Yang, mas deixei Yin entrar na minha vida, mordi a porra da maçã, até por que, não foi uma bruxa quem a ofereceu.
   
   Expulsei Yin, vomitei a maçã, mas algo deu errado, e a culpa é toda minha, fiz a escolha, agora aguenta, dei pérolas aos porcos. Talvez precise conviver com Yin e Yang, engolindo seco tudo que sei, toda mentira e falsidade, ignorando as leis da física e dividindo meu espaço. Ninguém sabe o que eu sei sobre Yin ou que a bela maçã tem veneno. Deve ser por isso que certas aves não voam.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Café expresso

   Tenho um serio problema de memória, lembro-me mais do que deveria. Assim com quem sofre, ou melhor dizendo, tem a dadiva da sinestesia, certas lembranças trazem consigo cheiros, sabores e cores, aguçando meus sentidos e acordando desejos.
   Das lembranças que me apego ou que me pego a lembrar, as que mais me causam dor são as que não se concretizaram, as que não se completaram, não chegaram aos finalmentes, a que deixou um sabor faltando ou ficou com falta de sabor. E elas vem, sempre vem, inusitadamente com um simples gesto ou até um ato rotineiro que devido a uma situação excitante se ligou em uma nova sinapse, uma nova memória.
   Júlio Iglesias, não importa onde toque, sempre irei lembrar de minha mãe, tem cheiro de infância e gosto de bala de goma. Vitrine de padaria, lembra meu pai. E tantas outras coisas trazem lembranças: Cinza mescla, morangos, comprimidos, ônibus de viagem, novela mexicana, bailarina, plastico de piscina e One Night do Elvis.
   Faço essas ligações não por minha escolha, quando dou por mim, a associação já foi feita, e tudo está perdido, nunca mais será o mesmo, como as minhas xícaras de café expresso depois das quatro e meia da tarde.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Não venha me falar dos Beatles

O que explica um sentimento?
Sensações explodindo internamente ao ouvir uma voz.
O afogamento de emoções que se assemelha a uma dor.
Como se em mim não coubesse e tentasse sair, fugir, correr e alcançar o objeto de desejo.
O que causa o desejo?
Fico buscando definições para meus sentimentos, busco explicações plausíveis ou aceitáveis com toda peculiaridade pertencente a estes.
O que me move? O que me muda? O que me faz perder o controle do princípio de realidade?
Em duas palavras eu diria voz e cabelos, mas hoje, tenho plena convicção que é muito mais que isso. O que me causa desejo acima de tudo é o saber, a inteligência, o conhecimento.
Sou movida a informação, mas não sobre qualquer coisa, sobre o que me agrada, música, arte, filmes, livros, vinhos, cafés, lugares... Coisas como:- Você sabia que a Tequila é produzida em apenas parte do México, no estado de Jalisco, onde se colhe a Agave-azul que parece um abacaxi gigante. Algumas garrafas, as de Mezcal, as mais caras aliás, eles armazenam a bebida com uma larva dentro, e que quem toma a ultima dose tem que comer a larva da tequila.
Não venha me falar da novela, nem venha me falar dos Beatles, por que um assunto não me interessa e o outro eu já sei.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Vai ter que resolver



















É uma inquietação
um caminhar incessante no quadrado limitado das circunstâncias.
Um desejo rasgado que enche o estômago até a garganta e sufoca.
Calafrios, tremedeira
parece sintoma de doença, mas é só vontade curiosa.
Bato os pés.
Alongo.
Bebo água até afogar.
Desespero.
Como de algo tão simples surge tamanha confusão?
Talvez eu faça a confusão.
Talvez seja só dizer não!
Ou, vamos nessa e que se foda!!!
Só se vive uma vez.
Pelo menos, uma vez com esse corpo.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

No meu lugar

O espaço é quantidade finita do que tenho
Um pedaço, na madeira com colchão
Um retângulo, chamado cama.
Meu espaço é definido pela circunstância.

E o teto de estrelas me convida
Ah uma festa nunca vista
Um acontecer divino, em que Deus não se envolve.
Um momento breve, de febre.

E o sentido muda
O sentimento muda
A cor do céu muda
A boca não fica muda

E ao voltar a meu espaço
de quantidade finita
Peço a alma que vá passear
E aos sonhos fazer visita.